22 de novembro de 2017

Nunca olhe para dentro

22 de novembro de 2017



Resenha Nunca olhe para dentro




Olá leitores do meu coração, tudo bem com vocês?
Aqui estou eu (depois de muito tempo, eu sei, Sorry!) hoje para falarmos de coisa boa: literatura nacional!!!
Como vocês devem saber (e/ou perceber), sou uma admiradora (quase fanática) da nossa literatura e procuro sempre dar dicas pra vocês de livros bons/ótimos/maravilhosos (e também avisar sobre os que, em minha opinião não são) e, dessa vez, com certeza não seria diferente.

Neste dia tão frio, vou contar para vocês a minha experiência com Nunca Olhe para Dentro, vulgo NOPD (porque nós, fãs de Amanda, sempre chamaremos pela segunda opção).

Como já devem ter visto, fiz um post de PI (primeiras impressões) do livro, antes do lançamento e vocês podem conferir clicando aqui.

Então vamos para uma análise maior e completa do livro? Lembrando que não falarei sobre cada ponto deste, para não ficar cansativo e focarmos no que mais me chamou atenção.


Resenha




Título: Nunca olhe para dentro 
Autora: Amanda Ághata Costa
Publicação independente/Amazon
N° de páginas: 610


Nem sempre a vida é colorida como um quadro ou suave como uma pincelada, às vezes é o contrário de tudo isso. Depois de perder os pais em um acidente de carro aos oito anos, a única coisa que Betina precisa fazer é encontrar o responsável por ter destruído sua família na noite que daria início à sua próspera carreira como pintora. Agora, longe dos pincéis e das paletas, ela está focada em terminar a primeira graduação e procurar na justiça um pouco de consolo para o caos que o seu passado ainda traz. Ao lado de seus amigos e sob o teto de uma tia que a detesta, ela perceberá de que cores as pessoas são feitas, e do quanto é realmente necessário olhar para dentro de tudo aquilo que a assombra, mesmo que para isso precise passar por uma inesperada decepção.


Nunca olhe para dentro, começa com nossa personagem principal narrando um pouco sobre o fatídico dia que deveria ter sido completamente feliz, mas que acabou sendo o oposto do que era esperado. 
A garota sempre foi amante de artes e, instigada pelos pais, acabou seguindo seu sonho de criança, desde muito cedo. Logo, ela ganha espaço em uma galeria e faz sua primeira exposição com muitos presentes, inclusive, seus pais.
Quando voltavam acabaram sofrendo um acidente e todos morreram, exceto ela. Anos depois, quase concluindo sua faculdade - que não era o curso que ela pretendia fazer - a mesma garota não consegue tirar da cabeça que havia algo errado naquela noite, que não tinha sido um erro de seu pai  ao volante e que existe um culpado que está solto na cidade desde então. E a promessa dela era que o encontraria e buscaria justiça em nome das pessoas que havia perdido.

Toda sexta-feira ela faz questão de comprar as flores que sua mãe tanto amava e ir até o local do acidente, o lago onde todos morreram deixando-a para trás e sozinha.  Este é o único dia que ela se permite sofrer, pelo luto, pelas perdas e dores que aquilo gerou em seu coração.




Na mesma narrativa, Betina nos insere em sua vida familiar, onde o único lugar que ela deveria chamar de lar, infelizmente só pode ser considerado o inferno. Quando o acidente aconteceu,  anos atrás, Betina foi levada para ficar na guarda da tia, vulgo Cecília, única parente viva. Mal sabiam eles que teria sido mais fácil e melhor, se ela fosse para um orfanato. Durante anos e mais anos, Betina sofre com as agressões da tia e seus namorados e aguenta cada uma delas totalmente calada, sem denunciar (mesmo que ela quisesse).
Enquanto eu lia, me perguntava qual era o motivo por trás daquele medo de fazê-lo, já que aparentemente nada a impedia... Isso até descobrir, pelas próprias palavras da personagem, a razão do silêncio.


Quando fiz o post de primeiras impressões sobre o livro, disse que:
1) já podia sentir todo o clima da história, imaginar como seria e o quão especial era;
2) que uma das coisas que eu mais esperava era que a tia de Betina se arrependesse do que fazia com ela e se tornasse uma pessoa melhor (ô inocência a minha 😁);
3) que amei os personagens logo de cara, inclusive o jeito um pouco melancólico, leve e marcante de Betina;
4) que adorei a narrativa melhorada e que esperava ficar ainda melhor...


Sobre o primeiro, terceiro e quarto ponto, felizmente eu estava certa e tudo foi como imaginei, pelo menos na questão de todo o clima tenso,  mas escrito de forma delicada, do livro (até mais do que eu esperava). Já sobre o segundo, não tive tanta sorte, já que com o passar das páginas, ficava mais evidente que o que era relatado nos primeiros quatro capítulos, era fichinha, se comparado às coisas que vieram a seguir. E a cada novo golpe de Cecília e seu namorado (contra Betina), mais meu coração murchava de dor e compaixão pela garota. 
Betina sofria tanto, era tão humilhada, destroçada (muito mais do que eu imaginava e isso foi outra surpresa) e não podia fazer absolutamente nada contra isso.





E, posso dizer com propriedade, uma das coisas que mais gostei foi o fato de Amanda ter adicionado este tipo de "realidade" na sua história... Quem me conhece, sabe que gosto muito que em livros que leio, tenham esse tipo de fato real incontestável. Afinal, nada na vida é perfeito e às vezes, um livro com esse toque acaba chamando mais atenção do que um livro todo perfeitinho.

De qualquer forma, Amanda, através de Betina (ou seria o contrário? Haha), retrata muito bem a realidade incontestável que é a violência doméstica, e também a agressão física e psicológica que existe dentro do tema.


Sobre os personagens: muito bem elaborados, fortes, cheios de sensibilidade, amigáveis e fiéis - alguns pontos citados não valem para a antagonista em questão.

Sobre a narrativa: envolvente e delicada, que te prende até o fim.

Agora, sobre minhas sensações durante a leitura:
Bom, é certo afirmar que você precisa ter um certo grau de controle das emoções para ler este livro.
Ele trata de um assunto pouco abordado, de forma tão carinhosa e ao mesmo tempo tão intensa que é difícil saber onde uma coisa acaba e a outra começa.
Enquanto eu lia, via muitos leitores contando sobre suas sensações e o quanto o livro tocou o coração delas e isso é perfeitamente normal, especialmente quando conhece esse tipo de história de perto, ou vive na própria pele (independente do tema tratado em cada livro).

Na minha opinião, o livro é muito bonito e emocionante, entretanto, vou ser sincera em afirmar que chorei apenas uma vez durante a leitura (confesso que me sinto uma ET por isso). Porém, ao final do livro, eu só conseguia parar e ficar olhando para o teto, pensando nas coisas, na vida. Ou seja, o livro foi uma grande reflexão, o que acho muito importante e válido.

Fato importante a ressaltar: esse, sem dúvidas é o melhor texto da Amanda até hoje (se tratando de narrativa, diálogos, cenas, construção de história e personagens, etc) e quero parabenizá-la por isso.



Enfim, é isso. Com certeza indico a leitura e digo com convicção que este é um livro que deve ser lido, não apenas por ser da Amanda, nossa querida parceira, mas também porque trata de coisas importantes de forma reflexiva e praticamente natural.


Um livro lindo e emocionante que retrata muito bem um lado muito obscuro de nossa existência.

Você vai sorrir e vai chorar muito com Betina e suas cores especiais.



Beijos,